Quando me perguntam sobre minhas “personagens femininas fortes”

Eu só conheço mulheres fortes. Homens fortes conheço alguns, mas mulheres fortes, isso é fácil encontrar. Deve ser também porque, no meu imaginário, a literatura é terreiro do feminino. Está ligada às histórias que perpassam as famílias, à adivinhação dos sonhos, à anatomia, à ancestralidade, à possessão pela palavra… à força.
O Desesterro surgiu de uma investigação, da busca por uma apropriação “literária” do discurso diabólico dos abusadores. Eles não ofendem, eles desacreditam. Se fazem de vítimas. Fazem você se sentir culpado pelo que você não quer, tem algo mais mimizento do que isso? Eles se apossam de tudo, inclusive da língua, como não ter raiva? Esse tipo de homem é um buraco negro com mulheres em volta tentando não desaparecer, então surgiram essas mulheres todas, uma família inteira que eu não conseguia esquecer, que eu precisava chorar e enterrar.
Primeiro a Fátima, que de tanto apanhar tem nossos destinos inscritos nas cicatrizes do seu corpo. Depois a Penha, uma vó ancestral, enorme, a louca de uma cidade. Depois a menina, ela nem nome tem, mas carrega nos olhos uma legião. E a Scarlett, coitada, que teve que aprender a voar com os urubus. E a Cida. Todas elas trazem um pouco da mulher que eu sou pela experiência que vivi ou pela experiência que carrego através das gerações e das histórias, uma memória física, pode chamar de intuição se quiser, possessão ou loucura, febre ou muleta,
só não me venha dizer que é TPM.
Info
O lançamento do Desesterro será dia 7/12 na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, com direito a bate-papo com as escritoras Paula Fábrio e Marta Barcellos. Confirme sua presença aqui. E se quiser saber mais sobre o romance, é só clicar aqui. Qualquer dúvida, me escreva. Um abraço, Sheyla.
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