Leitura: O próximo da fila, de Henrique Rodrigues

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Lendo “O próximo da fila”, do Henrique Rodrigues, eu não conseguia esquecer de duas coisas: de quando, na faculdade, usavam a expressão “acabar no McDonalds” para falar do fim do mundo. E da felicidade de um primo próximo quando recebeu o seu primeiro uniforme da rede. O personagem de “O próximo” flutua entre esses universos, como leitor que é. E eu não consigo ler sem pensar que essas flutuações, que levam a classe média baixa para cá e para lá na pirâmide social, poderiam ter me levado para bem longe.

Falando do texto, outra flutuação: primeira e terceira pessoa. O texto é escrito em primeira, mas o narrador sabe coisas que estariam longe da sua percepção (pensamentos de outros personagens, por exemplo) – será licença poética? A história é fluida e tocante, tem personagens que se assemelham a tipos, quase cômicos por sua representatividade. Temos um herói e uma jornada, e é quase um alívio o fato de essa jornada estar tão próxima da realidade, ao abordar a passagem da adolescência para a fase adulta pela aventura do primeiro emprego. A mãe é definitivamente minha personagem preferida. O final me deu a sensação de chegar brusco, sem antecipação, (gostaria de ter sido mais cúmplice dele). Mas como a revelação veio em duas camadas, confesso que a segunda me surpreendeu. 

Serviço: facinho de achar em todas as grandes livrarias :)

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