Melô da internet

experimentos literários

lolita Lorota, labareda em minha carne. Fogo de tudo que eu digo. Minha alma, meus posts. Lo-ro-ta: a ponta da língua faz uma viagem alucinante pelo céu, cima, baixo, cima, e em fim bate nos dentes. Lorota! minha ponta da língua é na ponta dos dedos, hashtag, L, O, R, O, T, A, bate nos likes, ai minha tendinite. Lo. Ro. Ta. Esperando oportunidade, é “conversa fiada”, whatsapp. Sem necessidade é “indireta”, põe no face. Se tem necessidade, habemus blog, é “criação”. Se tem foto, é melhor pôr no instagrão. “Calúnia” na língua afiada do meritíssimo senhor juiz. “Parolice” em citação que a Clarice Lispector não disse. “Mentira” para os que entraram desavisados, internet é isso mesmo, sem hipocrisia, minha gente! a gente só é sincero quando mente! Em meus dedos será sempre lorota. A que veio antes e a que vem depois. Talvez nunca dissesse lorotas, se não tivesse depoimentos no orkut bebê dançando e flogão. Talvez nunca dissesse lorotas mas, convenhamos, internet é ficção.

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