A louca da cidade

eventos, experimentos literários

Cheguei paulista. Ali é a ponte, ali é a Flip, esquerda direita dá na Casa do Autor Roteirista. Se a rua de pedras entristecer os calcanhares, tem doce na barraquinha perto, e se olhar adiante, tem muito mares. Tem rua listrada de sol, gente aluada de rua, listra solada de pé. Tem pausa para o café. A Casa amém sonhada fica na boca da terra, do lado uma igreja, debates, debates, na frente o deus-mar não se abate: a Casa é concha encostada no ouvido. Chega a lua, a rua vem toda, fogueira, bandeirola, e no meio dessa gente toda surge a louca, possuída por um crítico em pleno sarau, tomada, possessa: parem os poemas! grita com a força dos templos vazios. Mas os zumbis levam a crítica na primeira dentada: fica a louca, a louca da cidade, mais uma, como nós todas, pela poesia exorcizada.

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Foto da querida Thelma Guedes, que tornou essa viagem incrível possível. 
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