Histórias de amor

Sempre tento levar meu marido pra uma cigana ler sua mão, estamos casados há trinta anos, preciso saber se ele é ou não é minha alma gêmea. Eu falei pra cigana não se preocupar, o Everaldo é um bronco mas trinta anos casados eu já sei bem o jeitinho ele sempre faz o que eu quero. Uma falta de educação deixar a cigana esperando, Everaldo, largue a mão de ser frescurento, diacho. Eu largo a mão do Everaldo em uma caixa de bombons, a cigana é minha amante há trinta anos eu já sei bem o jeitinho ela sempre acaba cedendo. Carmen, diga, anda, Everaldo era ou não era minha alma gêmea? Diga logo, Carmen, ele ficou em casa desacordado o gás aberto panela de óleo no fogão, o braço direito sem a mão. É a mão esquerda que se lê, ela me diz, eu não acredito que você fez isso comigo mereço ser tratada com respeito sai daqui sai da minha vida. Eu costuro a mão direita no braço direito do Everaldo, coitado, e prometo dessa vez é verdade nunca mais falo com a cigana, nem lhe arranco a mão direita, e nunca mais nunca mais mesmo perco os óculos antes de precisar fazer costura.

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