novidade no OSSO DA FALA

eventos, ossos da fala

Antes do lançamento, previsto para novembro, chega a correria para aprontar site, e-book, coração, tudo. No blog do OSSO DA FALA está disponível o texto que vai acompanhar o web documentário em sua divulgação pelo Rumos Itaú Cultural. Ou aqui:

Tem vezes que a gente fala, e tem mais silêncio que palavra, e tem muita palavra escondendo a fala, e a fala se mostra apenas no osso da fala, no que espreita dentro de toda tentativa de não estar sozinho.

Começamos esse projeto pensando que a pergunta fosse: como falar sobre a falta? Mas no contato com as pessoas, através de e-mails, mensagens, conversas e entrevistas, as perguntas se mostraram outras: sobre o que as pessoas falam quando falam de construção, de café, de tardes de domingo? Sobre o que as pessoas não podem falar quando tem que falar de café, construção e tardes de domingo?

O esforço de montagem foi o de encontrar, entre todas as conversas, entre horas de entrevistas, o que precisasse ficar. O osso da fala. Optamos não por contar a história de cada um desses personagens, mas por colocá-los em um fluxo de falas e imagens que constituíssem o personagem que faltava. A falta, ou sua personificação: a pequena e impossível Rebeca, de Cem anos de solidão, arrastando seu saco de ossos pelo chão de Macondo.

Afinal, começamos essa empreitada com um convite nas redes sociais, que perguntava: qual é o seu saco de ossos? Quais objetos você mantém consigo para lembrar a ausência que a morte cava? Os ossos, como os objetos, costumam ficar mais do que os homens. E neles fica também a marca dessa necessidade de ter alguma coisa que fique, que resista, mesmo que dentro de objetos quebrados, de sonhos não realizados, de uma fala que não encontrará ponto final.

O que parece ficar, sobretudo, é o pulso da fala, a necessidade dela. Seu osso.

 

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