O gigante, ou os moinhos de vento

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Tudo parece um conto tardio de Kafka, particularmente mal escrito. O personagem principal? O oportunista, uma figura!

O oportunista viu aquele monte de gente junta, segurando cartazes, bandeiras, gritos, segurando a respiração com o gás, segurando a indignação contra a violência, segurando tanta coisa que meu deus logo tudo ia ao chão. O oportunista viu aquele monte de gente querendo, querendo o que mesmo? Viu aquele monte de gente querendo e percebeu que no fundo ele queria também, ele sempre quis, desde pequeno, desde antes de nascer, estava tudo escrito no mapa astral feito pela sua auspiciosa mãe.

– Essa esquerda não se põe no lugar.

– Esquerda? O texto está obviamente falando da direita.

O oportunista viu aquele monte de gente brasileira junta, segurando cartazes, bandeiras do Brasil, gritos contra a corrupção, segurando a respiração, o gás para a festa, segurando a indignação contra a violência daqueles vândalos, uma minoria descontrolada, segurando tanta coisa que meu Deus tudo podia ir ao chão menos aquela brava gente.

O oportunista viu aquele monte de gente diferente junta, segurando cartazes, bandeiras partidárias, gritos de reivindicações antigas, segurando a respiração contra o gás lacrimogêneo, segurando a indignação contra a violência policial e o vandalismo contra a população, segurando tanta coisa que meu deus logo tudo ia ao chão.

Alguém me ajuda: isso é gigante ou é moinho de vento?

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