Sua boca não é um túmulo

ossos da fala

“Túmulos pavimentam o esquecimento permitindo à vida que faça o que tem que fazer, seguir sem os mortos (o que nos incluirá a todos)”, diz Nuno Ramos em Ó.

Mas quantos túmulos serão necessários para a vida deixada em cima da cômoda depois da morte? Para todo cheiro, e para todo gosto de bolo de fubá quentinho, e tudo o mais que, transformado em uma espécie de entrave mnemônico, não deixa esquecer a falta de alguém? É ela que assombra. Nossa, como assombra.

Túmulos pavimentam o esquecimento, pode ser, mas a lembrança é erva daninha. Ela rompe no asfalto.

O que mais se poderia esperar? Qualquer afeto é maior do que um túmulo. Os afetos ultrapassam mesmo as bocas, túmulos de segredos. Mesmo as bocas, que a gente é acostumado a conter.

É um pequeno inventário desses afetos, que saltam da boca por alguma necessidade, o que queremos. Ele ainda está em construção: tem uma história assim, com lembrança e falta, com túmulo que não morreu falta nenhuma? Conta pra gente.

Para saber mais sobre o projeto, visite o blog Osso da fala.

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