Rebeca não quer falar

Rebeca não quis contar sua história. O depoimento ficou sendo, então, o barulho do seu saco de ossos arrastando pelo chão barrento de Macondo. Sob os auspícios daquele pequeno tilintar de ossos, quem insistiria? Se eles não eram a maneira que Rebeca encontrou de ter seus pais sempre por perto, de fazer a presença deles (o arrastar do saco contra o chão) coincidir com o silêncio, já não sei o que seriam.

Talvez ela precisasse de uma prova de que eles realmente existiram, já que o tempo não estraga os ossos com tanta força quanto estraga a memória. Os ossos ficam. Os objetos ficam, com o tempo passando sobre eles. Quebrados, sulcados, rachados. Mas ficam. Nem que seja dentro da fala, dentro do choro, dentro da saudade. Os ossos ficam, mesmo depois de terem virado poeira do tempo.

Você também deve ter o seu saco de ossos. Ou somente um saco. Um dente quem sabe. Algo que o faça lembrar de quem a morte cavou a ausência. Algo que torne presente um ente querido que já não está vivo, mas que nem por isso não vive nos seus dias, nas suas memórias. Queremos ouvir sua história sobre essa relação, e com ela compor uma peça audiovisual – pequena mortalha – que nos lembre o quanto a morte passeia longa por nossas vidas.

Responda algumas perguntas no formulário de pré-seleção e logo entraremos em contato. Escolheremos algumas histórias para filmar e compor esse web documentário, para que elas também fiquem para a memória. Para saber mais sobre o projeto, visite o blog Osso da fala.

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