Canção para acordar o corpo

“Quando comecei a escrever, eu estava morta. Eu carregava meu corpo como a um bicho pesado, tenso, pouco. Escrever era o que eu conseguia fazer. É o que eu consigo fazer quando não consigo fazer mais nada. Aos poucos meu corpo foi acordando, escrever foi para mim uma canção de acordar. Aos poucos, fui tomando meu corpo de volta, com ele me contando suas histórias, o que já havia passado sem mim – quando não era eu, mas outro degrau da minha genealogia. E eu também contei pra ele de qual longe eu vinha: de outro corpo, menor e maior do que você, eu falei.

O Desesterro é outra carta que eu escrevi para o meu corpo. Uma canção para acordar,  levantar da depressão e aprender a ser mulher. Vencedor dos prêmios Jabuti, Biblioteca Nacional e Sesc de Literatura, além de finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, Desesterro conta a história assombrosa de uma família de mulheres amaldiçoadas pela fome dos homens e da cidade que habitam, conta a relação dessas mulheres com seus corpos invadidos, conta como os medos e as violências caminham de uma geração a outra através dos corpos.”

Sobre a autora

Em 2017, Sheyla Smanioto foi apontada pela revista Forbes como um dos jovens com menos de 30 anos que fazem a diferença no Brasil. No mesmo ano, foi convidada do Printemps Littéraire Brésilien e representou o Brasil no Salão do Livro de Paris. Atualmente, conta com apoio de criação literária do Itaú Cultural para escrever seu novo romance.

Cheio de originalidade e lirismo, (…) é um soco no estômago, no melhor dos sentidos. Às vezes sombrio, às vezes ecoando esperança em cada frase.

Larissa Bezerra n’O Diário de Maringá

É um daqueles livros que têm a rara capacidade de aliar um estilo ousado, instigante em sua ligeireza, e poético sem pieguice. Ao mesmo tempo, esse estilo sustenta uma história redonda, contada de forma não linear, porém sem artificialidade. É também um livro conscientemente político, ecoando alguns dos temas mais relevantes de nosso tempo, mas sem resvalar no panfletarismo. Em resumo, um combo completo e destruidor.

Renata Beltrão no Lombada Quadrada

Ao longo do livro os homens batem, estupram e garantem fazer tudo isso por amor. Espancam, espancam, espancam, moem as mulheres e dizem que amam. Amor, para eles, dever ser olhar para outro ser humano e enxergar uma propriedade privada inanimada; conhecem apenas a linguagem da violência, da força bruta e, invariavelmente, embrutecedora. Bem como a fome, a cultura do estupro permeia toda a história. Cultura que dialoga com a pedofilia: “pegam” as mulheres para casar ainda pequenas e veem uma provocação sexual em tudo.

Rodrigo Casarin no Suplemento Pernambuco

Dados técnicos: ISBN 8501106240 / 304 páginas / Editora Record / 20,6 x 13 x 2,3 cm, 322 g, R$53
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